Ficha técnica do prato
Coloque a quantidade que vai na receita inteira e o preço da unidade de compra — o preço do quilo, do litro ou da unidade.
O valor acima entra sozinho no campo de custo.
São as contas que chegam mesmo se você não vender nada no dia.
Aluguel, luz, água, internet, gás, salários, contador, manutenção. Cada prato vendido precisa ajudar a pagar um pedacinho dessas contas — e é isso que este campo faz.
Para achar o seu número: some essas contas de um mês e divida pelo que você faturou no mesmo mês. Gastou R$ 18.000 e faturou R$ 40.000? Então é 45%. Não sabe? Pode deixar 45 mesmo — é a média de quem conta os salários da equipe nessa soma. Se você trabalha na cozinha e não tem funcionários, fique entre 25 e 35.
É o pedaço do preço que nunca chega na sua mão.
O imposto que você paga sobre o que vende (o Simples, na maioria dos casos) e a comissão que a maquininha desconta de cada cartão. O cliente paga R$ 40, mas uma parte já sai antes de entrar no caixa.
Somando Simples e maquininha, quase todo restaurante fica entre 8% e 15%. A comissão do aplicativo de entrega não entra aqui — ela tem campo próprio logo abaixo, porque vale só para o preço do delivery.
Resultado
Preço de venda sugerido
—
Preencha o custo dos ingredientes
No aplicativo
—
Preencha "preço que você cobra hoje" para saber, em reais, se esse prato está dando lucro ou prejuízo.
Como a conta é feita
A lógica é simples: todo custo sai do preço de venda, não do custo do ingrediente. Por isso a fórmula divide, em vez de multiplicar:
preço = custo dos ingredientes ÷ [ 1 − (custos fixos % + impostos % + margem %) ]
Exemplo: um prato com R$ 12,50 de ingredientes, 45% de custos fixos (aluguel, energia e folha de pagamento), 10% de impostos e taxas de cartão e 10% de margem desejada. A soma dos percentuais é 65%, então sobram 35% do preço para pagar o ingrediente: R$ 12,50 ÷ 0,35 = R$ 35,71. Arredondando para R$ 35,90 na vitrine, cada prato vendido deixa cerca de R$ 3,60 de lucro.
É por isso que a regra de bolso "multiplique o custo por três" às vezes funciona: ela equivale a reservar 33% do preço para o ingrediente, o que dá certo quando os seus outros percentuais somam por volta de 67% — exatamente o caso do exemplo acima. O problema é que ela é cega: se o seu aluguel é caro, a folha é grande ou boa parte das vendas passa por aplicativo com comissão de 20%, multiplicar por três deixa você trabalhando de graça sem perceber.
A ficha técnica: onde o cálculo começa a valer
O campo mais difícil desta página é o primeiro. Quase todo erro de precificação nasce ali: o dono chuta o custo da porção "por cima" e o resto da conta herda o erro. Por isso a calculadora monta a ficha técnica junto — é só clicar em "montar a ficha técnica".
Você lista cada ingrediente com a quantidade que entra na receita inteira e o preço da unidade que você compra (o quilo do frango, o litro do óleo, a unidade do pão). A ferramenta converte grama para quilo e mililitro para litro sozinha, soma tudo, divide pelo número de porções que a receita rende e ainda aplica o aproveitamento.
Esse último campo é o que mais gente esquece. Se de cada quilo de alcatra que você compra sobram 800 g depois de limpar, você aproveita 80% — e o custo real do que vai ao prato não é R$ 40 o quilo, é R$ 50. Um aproveitamento de 80% encarece o ingrediente em 25%, e é dinheiro que costuma sumir sem aparecer em lugar nenhum. Some também o que passa batido: óleo, tempero, gás, guardanapo, embalagem e talher de delivery.
Preço do salão e preço do aplicativo são dois preços
Se você marca "vendo também por aplicativo de entrega", a calculadora mostra dois preços lado a lado. Não é frescura: a comissão do aplicativo sai do preço exatamente como o imposto sai, então ela precisa estar dentro da conta, não descontada depois.
O efeito é maior do que a intuição sugere. No exemplo acima, o prato fecha em R$ 35,71 no salão. Com 25% de comissão, os percentuais passam de 65% para 90% — sobram 10% do preço para pagar o ingrediente, e o mesmo prato precisaria sair por R$ 125,00 no aplicativo para manter a margem. Nesse ponto a conta está te dizendo outra coisa: esse prato não cabe no aplicativo com essa margem. As saídas reais são aceitar margem menor nesse canal, criar uma versão de delivery com custo menor ou simplesmente não vender esse item por lá.
Uma observação sobre o campo de impostos: quando o pedido vem pelo aplicativo, a taxa da maquininha normalmente não incide (o app já retém a comissão dele). Se você quer precisão máxima nesse canal, calcule uma vez com a taxa de cartão no campo de impostos, para o salão, e outra sem ela, para o aplicativo.
De centavos por prato para reais por mês
"Esse prato deixa R$ 3,60" não assusta ninguém. "Esse prato deixa R$ 1.296 por mês" já muda a conversa — e é a mesma informação. Preencha vendas por dia e a calculadora multiplica por 30 para mostrar o lucro mensal daquele item.
Se você também preencheu o preço que cobra hoje e ele está abaixo do sugerido, aparece o número que mais dói: quanto você está deixando na mesa por mês naquele prato. É a diferença entre o lucro do preço certo e o lucro do preço praticado, vezes o volume. Em pratos de saída alta, dois reais de diferença viram centenas de reais no fim do mês.
Como descobrir cada número
Custos fixos (%)
Some os custos fixos de um mês (aluguel, energia, água, internet, salários e encargos, contador, manutenção, sistema) e divida pelo faturamento do mesmo mês. Multiplique por 100 e você tem o percentual. Com a folha de pagamento incluída, esse número costuma ficar entre 40% e 55% em casas pequenas — a mão de obra é quase sempre o maior custo depois do ingrediente. Se você tira só o pró-labore e trabalha na cozinha, ele cai para a faixa de 25% a 35%.
Impostos e taxas (%)
Junte a alíquota que você paga de imposto com a taxa média da máquina de cartão. A comissão de aplicativo de entrega tem campo próprio — não some aqui, senão o cliente da mesa acaba pagando pelo pedido do aplicativo.
Margem de lucro (%)
É o que você quer que sobre depois de tudo pago. Entre 8% e 15% é o intervalo em que a maioria dos restaurantes pequenos consegue operar sem espantar o cliente. Margem de 40% em prato de rotina normalmente tira você do mercado — o lugar de margem alta é bebida, sobremesa e combo.
Referências de CMV por tipo de item
O CMV é a parte do preço que vira ingrediente. Ele varia muito por categoria, e o equilíbrio se faz no cardápio inteiro — não item por item:
| Tipo de item | CMV comum | Observação |
|---|---|---|
| Bebidas em geral | 20% a 30% | Margem alta e giro rápido. É onde o ticket cresce sem esforço. |
| Massas, arroz, porções fritas | 20% a 30% | Insumo barato. Bons candidatos a destaque no cardápio. |
| Prato executivo / do dia | 28% a 35% | A faixa considerada saudável na média do restaurante. |
| Hambúrguer artesanal | 30% a 38% | Depende muito do pão e da carne. Combo ajuda a diluir. |
| Carnes nobres e frutos do mar | 40% ou mais | CMV alto é normal aqui; compense no acompanhamento e na bebida. |
| Sobremesas | 15% a 25% | Costuma ser o item mais lucrativo do cardápio — e o mais esquecido. |
Depois de calcular, o preço precisa chegar ao cliente
Refazer a precificação e continuar com o cardápio impresso do ano passado não resolve nada: o preço novo fica no papel da sua mesa, e o cliente segue vendo o antigo — ou uma etiqueta colada por cima.
É aqui que o cardápio digital faz diferença prática: quando o fornecedor sobe o preço da carne, você ajusta o valor no cardápio e a mudança já vale na mesa e no delivery, sem gráfica e sem custo de reimpressão. Também fica fácil dar destaque justamente para os itens de melhor margem, que a calculadora acabou de te mostrar.
Outras ferramentas grátis
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Perguntas frequentes
Multiplicar o custo por 3 não resolve?
Só por coincidência. Multiplicar por 3 equivale a supor que ingredientes são 33% do preço — o que serve se seus custos fixos, impostos e margem somarem cerca de 67%. Fora disso, você erra para cima (perde venda) ou para baixo (perde dinheiro).
Qual o CMV ideal de um restaurante?
Na média do cardápio, entre 28% e 35% do preço de venda. Itens individuais podem fugir bastante disso: bebida fica abaixo, carne nobre passa de 40%.
Preciso incluir a taxa do cartão?
Sim, ela sai do preço como qualquer custo. Junte com os impostos no mesmo campo. A comissão do aplicativo de entrega vai no campo próprio, porque só vale para o preço do delivery.
E se o preço sugerido ficar acima do que o mercado paga?
O número não está errado — ele está mostrando que naquele prato a conta não fecha. As saídas reais são reduzir o custo da porção (fornecedor, gramagem, aproveitamento), aceitar margem menor naquele item específico ou trocá-lo por outro que venda bem com custo menor.
A calculadora serve para bebidas e sobremesas?
Serve para qualquer item. Use como custo o valor da porção vendida: a dose, a fatia, a garrafa.
Meus dados ficam salvos?
Não. A conta é feita no seu próprio navegador e nada é enviado ou armazenado por nós. O botão "copiar link do cálculo" guarda os valores dentro do próprio endereço, depois do "#" — e essa parte da URL nunca chega a um servidor.
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