Cinco ferramentas grátis para restaurantes — e por que entregamos de graça

Dona de um café pequeno, de avental xadrez e braços cruzados, em pé no salão da própria casa, com prateleiras de garrafas ao fundo

Existe uma conta que quase nenhum restaurante pequeno faz direito: quanto custa, de verdade, o prato que sai da cozinha. Não é preguiça e não é falta de inteligência — é que ninguém ensina. O dono aprendeu a cozinhar, aprendeu a comprar, aprendeu a atender e aprendeu a apagar incêndio no sábado à noite. Preço ele aprendeu no olho: olhando o vizinho e multiplicando o custo por três.

Só que "multiplicar por três" é um chute que às vezes acerta e muitas vezes erra feio. Com 25% de comissão de aplicativo em cima, por exemplo, o ×3 garante prejuízo. E o dono só descobre isso meses depois, quando o movimento está bom e o caixa não fecha.

Por isso montamos cinco ferramentas gratuitas e deixamos todas abertas no ar: sem cadastro, sem e-mail, sem período de teste. Este post explica o que cada uma resolve — e, no fim, por que resolvemos entregar de graça justamente a parte que dá para vender caro.

Antes das ferramentas: por que a gente se importa

Nosso produto é um cardápio digital de R$ 19,90 por mês. Ele só existe enquanto existir restaurante pequeno de pé. Não temos comissão por pedido, não ganhamos por venda do cliente, não vivemos de taxa: se a casa fecha, a gente perde junto.

E casa boa fecha por motivo bobo. Fecha vendendo muito, com fila na porta e prato campeão saindo no prejuízo. Fecha porque ninguém sentou para conferir se o preço da moqueca cobria o gás, a embalagem, o funcionário e a conta de luz. Esse conhecimento existe há décadas — está em curso de gestão, em consultoria, em planilha que alguém vende por R$ 300. Não está na cozinha do bairro, que é onde ele faria diferença.

Então, sim: tem idealismo nisso, e a gente assume. Achamos que o setor inteiro melhora quando a conta básica deixa de ser segredo. Um bairro com cinco restaurantes que sabem precificar é melhor para todo mundo — inclusive para nós — do que um bairro com cinco restaurantes chutando preço até fechar as portas.

1. Gerador de QR Code com plaquinha de mesa

Você cola o link do seu cardápio (ou do seu Instagram, do WhatsApp, do que for) e a página monta a plaquinha de mesa pronta para imprimir: logo do restaurante, nome da casa, o código e a frase convidando o cliente a apontar a câmera. Dá para escolher a cor, subir o seu logo e baixar em PNG — a plaquinha inteira ou só o código.

Um detalhe que ninguém vê e faz toda a diferença: a ferramenta avisa quando a cor escolhida tem contraste baixo demais para o código funcionar impresso. Tinta clara sobre papel branco fica linda na tela e não lê no celular do cliente. Nesse caso o código sai escuro e a cor fica na moldura e no nome.

Abrir o gerador de QR Code →

2. Calculadora de preço de prato

Essa é a principal. Você monta a ficha técnica do prato — ingrediente por ingrediente, com a quantidade que vai na receita e o preço do quilo, do litro ou da unidade que você paga no fornecedor — e informa o rendimento e o aproveitamento. Ela calcula o custo real da porção, aplica seus custos fixos, impostos e a margem que você quer, e devolve o preço de venda.

Mais importante do que o preço sugerido: ela te diz, em reais, se o preço que você cobra hoje dá lucro ou prejuízo. É um bloco colorido, sem rodeio. Tem também o cálculo do canal de delivery, com a comissão do aplicativo entrando na conta, e a projeção do lucro do mês pela quantidade que você vende.

Abrir a calculadora de preço →

3. Calculadora de CMV

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida — quanto por cento do seu faturamento vira compra de insumo. A calculadora faz os dois cálculos que existem, e eles não são a mesma coisa:

O CMV do prato (custo ÷ preço) é o do papel: o que deveria acontecer. O CMV do período vem do estoque (estoque inicial + compras − estoque final, dividido pelo faturamento) e é o que de fato aconteceu no mês. Quando o segundo é maior que o primeiro — e quase sempre é —, a diferença tem nome: porcionamento sem padrão, perda, prato refeito, consumo interno, furto.

É nessa diferença que mora o dinheiro que some sem ninguém entender. A ferramenta calcula e explica os dois lados.

Abrir a calculadora de CMV →

4. Calculadora de markup

O markup é o multiplicador que transforma custo em preço. É o famoso "×3" — e a ferramenta existe justamente para mostrar quando ele engana.

O multiplicador certo depende da sua estrutura de custo. Uma casa enxuta pode viver com 2,5×. Uma casa com folha de pagamento pesada precisa de mais. E um prato vendido por aplicativo, com 25% de comissão, precisa de algo perto de 6,67× para dar o mesmo lucro — o que explica muita casa que vende bem no app e não vê o dinheiro. Dá para fazer o caminho inverso também: informe custo e preço atual e descubra o markup que você pratica hoje e a margem real que ele deixa.

Abrir a calculadora de markup →

5. Calculadora de preço de pizza

Pizzaria tem um erro clássico de preço, e ele é geométrico. A pizza grande não tem "mais massa na mesma proporção" que a média: o que cresce é a área, que aumenta com o quadrado do diâmetro. Uma pizza de 40 cm tem quase o dobro de área de uma de 30 cm — e muita casa cobra 20% a mais por ela.

A ferramenta separa custo de disco, recheio e embalagem, escala os outros tamanhos pela área, precifica borda recheada à parte e mostra o preço por fatia e o custo por centímetro quadrado. E resolve o meio a meio pelas duas regras que existem no mercado: média dos dois sabores (que é o custo real) e sabor mais caro (que é a prática comum) — com o aviso de que essa segunda precisa estar escrita no cardápio.

Abrir a calculadora de pizza →

O que você digita não sai do seu celular

Isso não é figura de linguagem. As cinco ferramentas rodam inteiras no seu navegador: o custo dos seus ingredientes, o seu faturamento, a sua margem e o link do seu cardápio não são enviados para o nosso servidor, não ficam salvos em lugar nenhum e não viram lista de e-mail. Fecha a aba e acabou.

Faz diferença porque essas são as informações que um dono de restaurante menos quer espalhar por aí. A conta é sua; a ferramenta é só a calculadora.

Por que de graça, sendo que dá para vender

A resposta honesta tem duas partes.

A primeira é de negócio, e não faz sentido esconder: quem chega para calcular o preço de um prato conhece a gente, e uma parte pequena dessas pessoas acaba assinando o cardápio digital lá na frente. É publicidade que ensina alguma coisa em vez de interromper. Preferimos assim.

A segunda é a que interessa mais. A maioria não vai assinar nada — e tudo bem. Vai usar a calculadora, descobrir que o prato mais vendido da casa estava dando 3% de margem, corrigir o preço e nunca mais voltar aqui. Esse resultado, para nós, também conta. É pouco provável que a gente fique rico assim, e a gente sabe. Mas é o tipo de empresa que a gente quer ser: uma que devolve para o setor o que aprendeu com ele.

Tudo o que está nessas ferramentas veio de conversa com dono de restaurante, de erro cometido, de conta refeita três vezes. Deixar isso trancado num PDF pago seria a decisão mais óbvia — e a mais chata.

Falta alguma ferramenta? Fala com a gente

As cinco estão reunidas em cardapiodigitaloficial.com.br/ferramentas, e a lista deve crescer. Se você faz na mão uma conta que uma página poderia fazer por você — escala de funcionário, custo de embalagem de delivery, quebra de estoque, o que for —, escreve para a gente. Ferramenta boa nasce de dono de restaurante reclamando de conta chata, não de reunião de escritório.

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